Foto por Lucas Lacaz
Hoje, quinta-feira, 24 de abril, das 18h30 às 20h30, o Parque Vicentina Aranha recebe uma edição especial do projeto Quintas do Choro, em comemoração aos 101 anos de fundação do Sanatório Vicentina Aranha. O evento é promovido pelo Centro de Documentação Musical de São José dos Campos (CDM), em parceria com a Socem e a AFAC Organização Social de Cultura.
A edição desta semana ganha contornos ainda mais simbólicos, ao ocorrer um pouco mais de um ano após o reconhecimento do choro como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, declarado oficialmente pelo IPHAN em fevereiro de 2024 e justamente um dia após o Dia Nacional do Choro, celebrado em 23 de abril, em homenagem a data de nascimento do Pixinguinha, um dos maiores ícones do gênero.
Segundo a coordenadora do CDM, Dra. Raquel Aranha, a proposta da roda é dar visibilidade ao movimento de choro na cidade e proporcionar uma experiência musical genuinamente popular e colaborativa:
“A proposta é fortalecer o movimento de choro na cidade, que existe e que já tem uma tradição, mas fazendo uma roda de choro aberta com instrumentos acústicos. […] É uma roda aberta: pode levar o instrumento que a pessoa toca, e assim a gente vai tocando os choros mais conhecidos, os choros autorais.”
A escolha pelo formato acústico vai além de uma escolha estética, ela resgata a origem das rodas de choro como prática espontânea, de rua, de praça, de quintal.
"A Roda de Choro é sempre uma celebração, no sentido de reunir pessoas de diferentes gerações, diferentes classes sociais, gêneros, diferentes tudo”, destaca Raquel Aranha. “É um tipo de situação que favorece as pessoas se encontrarem, se conhecerem, celebrarem o encontro através da música”, completa.
Foto por Lucas Lacaz
Fundado dentro do Parque Vicentina Aranha, o CDM é uma das poucas instituições do gênero no país, ao lado de centros como o da OSESP e da UNICAMP. Seu acervo reúne documentos musicais que contam a história cultural da cidade e da região.
“O CDM é um centro que preserva uma rica documentação musical: inclui fotos, gravações, partituras, cartazes, folhetos, programas de concerto, de show… Tudo que são registros culturais da cidade em relação à música”, explica Raquel.
Essa documentação, como destaca a coordenadora, ultrapassa os limites geográficos da cidade:
“Tem muita história sobre a vida das pessoas, a vida como artista. Então é um misto de documentos da cidade com documentos da região, com documentos de outros lugares do Brasil, dependendo do artista que guardou essa documentação.”
Foto por Lucas Lacaz
Além do momento atual, as rodas de choro no Vicentina Aranha resgatam uma prática que remonta às décadas de 1960 e 1970, quando músicos e pacientes do antigo sanatório organizavam apresentações espontâneas nos jardins e nos pavilhões do complexo. As serenatas, serestas e encontros de chorões faziam parte da rotina terapêutica e social do espaço.
Celebrar o choro nos 101 anos do parque é, portanto, uma forma de conectar o presente a essa herança viva, reafirmando o papel histórico do Vicentina Aranha como espaço onde a música e a cultura sempre tiveram razão de existir.
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